dirmaAutora: Ana Paula Lobo

Como esperado, a presidenta Dilma Rousseff abriu a 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta ultima terça-feira, 24/09, com duras críticas às ações de espionagem realizadas pelas agências de segurança do governo dos Estados Unidos, e denunciadas pelo ex-técnico da CIA, Edward Snowden. Também como ponto central, a defesa contundente da presidente à neutralidade de rede – ponto controverso no Marco Civil brasileiro, ainda à espera da votação no Congresso Nacional.

Com relação ao uso da Internet – alvo central de todas as ações de espionagem do governo dos Estados Unidos – a presidenta Dilma Rousseff ressaltou que durante a Assembleia da ONU, o Brasil vai apresentar propostas para um Marco Civil multilateral, com medidas que assegurem a segurança dos dados trafegados na Internet.

E marcou posição de fato de direito ao citar a relevância da Neutralidade de Rede. Segundo Dilma Rousseff, a Internet precisa de neutralidade de rede, com respeito aos critérios técnicos e éticos, mas capaz de proibir restrições comerciais, políticas, religiosas ou de qualquer outra natureza. O tom adotado pela presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, no seu discurso de abertura da assembléia geral da ONU foi bastante duro – como já esperado – contra os Estados Unidos. Dilma Rousseff se mostrou indignada e repudiou toda e qualquer ação de espionagem entre países.

Elas são inadmissíveis. Sem privacidade, não há efetiva democracia. A espionagem é um caso grave de violação dos direitos humanos e da liberdade civil. é um desrespeito à soberania do Brasil. E cobramos uma ação da ONU. Essa questão transcende o relacionamento bilateral entre dois países“, afirmou.

Ainda com relação aos Estados Unidos, mandou um recado ao presidente Barack Obama. “Jamais a segurança de um país pode se assegurar com a violação dos direitos dos cidadãos de outros países. Imiscuir dessa forma em outros países afronta o direito internacional”, frisou Dilma Rousseff. E as críticas respingaram nas empresas norte-americanas.

Pior quando essa espionagem é sustentada por empresas privadas. O Brasil sabe se defender, senhor presidente (aqui falando ao presidente da ONU). o Brasil não dá abrigo a terroristas… vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Como tantos outros latino-americanos lutei contra o arbítrio e a censura.  Queremos o direito à privacidade e à soberania”, acrescentou Dilma Rousseff. E não faltou também uma cobrança para a própria ONU. “A ONU deve desempenhar um papel de liderança no esforço de regular o comportamento dos Estados ante essas tecnologias e a importância da internet para a construção da democracia no mundo.

Assistam abaixo o vídeo:

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Fonte: Convergência Digital