Valor do PRISM foi exagerado, afirma chefe da NSA

PRISM_435Autor: Steve Ragan

No início do mês, durante uma audiência do Comitê Judiciário do Senado, o Senador Patrick Leahy pressionou o diretor da NSA, o General Keith Alexander, para saber se os números que são usados ​​para dar suporte a programas de coleta de dados são precisos.

Durante o início desse ano, a Administração de Obama e funcionários da NSA disseram repetidamente ao público como as polêmicas Seções 215 e 702 (também conhecidas como PRISM) do Patriot Act, foram usadas ​​para impedir conspirações terroristas.

A questão é a forma como as duas seções são usadas em vários programas de interceptação, incluindo coleta de registros corporativos. Mas os funcionários do governo, bem como a NSA, têm consistentemente repetido o fato de que tais programas de interceptação são gerenciados com uma rigorosa supervisão.

Durante a conferência de segurança Black Hat/Defcon, o General Alexander disse aos participantes que 54 células terroristas foram detidas por conta dos registros coletados nas seções 215 e 702 – 13 delas estavam nos EUA. Além disso, o General Alexander observou que, das 13 células interrompidas no país, 12 estavam diretamente ligadas a programas de interceptação.

No entanto, quando questionado pelo Senador Leahy, o General Alexander confirmou que apenas “uma, talvez duas” células terroristas foram interrompidas por conta da coleta de dados corporativos.

Questionando o General Alexander diretamente, o Senador Leahy disse: “Você concorda que os 54 casos que continuam sendo citados pelo governo não eram todos de células terroristas e, dessas 54, apenas 13 tiveram alguma importância para os EUA? Você concorda com isso, sim ou não?” Para isso, o General Alexander respondeu com uma afirmativa.

Exagero

Quando questionado pelo Senador Leahy para confirmar se os comentários do vice-diretor da NSA ao Comitê Judiciário de que “há apenas um exemplo de um caso em que uma atividade terrorista foi detida”, a atenção do General Alexander se voltou para os participantes da Black Hat.

“Ele está certo. Acredito que ele disse dois, Senator Leahy, posso ter entendido errado, mas eu acho que ele disse dois”, respondeu o General Alexander. “E eu gostaria de observar que poderia ser aplicado a apenas 13 dos casos porque, das 54 células terroristas ou eventos, 13 ocorreram nos EUA”. O Senador Leahy o interrompeu nesse momento, observando que a contradição das métricas e estatísticas não acrescentam nada para a credibilidade do programa em si.

Em defesa, o diretor de inteligência nacional, James Clapper (que também estava justificando as ações com o General Alexander) comentou que o número de células interrompidas não deveria ser a única métrica para o sucesso mensurável – notando que há outra medida que é muito importante, a “medida da paz interior”.

Não convence

Sistema de segurança ou não, nem todo mundo está comprando as explicações do governo. Em um post no blog grahamcluley.com, Mikko Hypponen, da F-Secure, observou que o público deve estar indignado com os programas de interceptação da NSA, e não apenas preocupado.

“Mas não me entenda mal. Eu entendo a necessidade de fazer ambos o acompanhamento e a vigilância. Se alguém é suspeito de executar um cartel de drogas, ou de planejar atirar dentro de uma escola ou de participar de uma organização terrorista, esse alguém deve ser monitorado com uma ordem judicial relevante. Contudo, não é sobre isso que o PRISM trata. O programa não é sobre o monitoramento de pessoas suspeitas. O PRISM é sobre o monitoramento de todos”, escreveu ele.

“Ele é sobre monitorar pessoas que são reconhecidamente inocentes. E é sobre a criação de dossiês sobre todos, de décadas. Esses dossiês, com base em nossa atividade na Internet, irá construir uma imagem completa de nós. E se os poderosos sempre precisam encontrar uma maneira de te passar para trás, eles certamente encontrarão algo suspeito ou constrangedor para todos, se eles tiverem o suficiente do seu histórico da Internet registrado”.

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Fonte: IDG Now!

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