França busca ofensiva internacional contra criptografia

Autor: Luis Osvaldo Grossmann

Alvo de três ataques em 18 meses, a França parece convencida de que o combate ao terrorismo passa por brechas na criptografia das comunicações modernas, ao ponto de expressamente buscar uma ofensiva europeia e mesmo internacional sobre o tema. A primeira parada é em Berlim, conforme anunciou na quinta, 11/8, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve.

“É preciso fazer face ao desafio da criptografia, uma questão central na luta antiterrorista”, afirmou Cazeneuve após reunião no Eliseu, na quinta. Ele anunciou que, juntamente com seu homólogo na Alemanha, Thomas de Maizière, vai formalizar propostas em duas semanas. “A França fará propostas. Eu enviei várias delas ao meu colega alemão”, disse.

A julgar por manifestações em diferentes países, uma iniciativa nesse campo deve até ganhar adeptos. Na própria Europa, o ex-primeiro ministro britânico, David Cameron, sugeriu neste mesmo ano que não deveriam existir ferramentas que impedissem as autoridades de acessar comunicações. E nos Estados Unidos, pátria de várias iniciativas das empresas por mais criptografia, o governo trava uma guerra para obrigá-las a prever backdoors em aparelhos e programas.

O mesmo acontece no Brasil. Por aqui, o terrorismo cotidiano é a criminalidade e em nome desse combate as autoridades também estão em luta contra comunicações indevassáveis. O país já ganhou notoriedade global com três bloqueios judiciais ao Whatsapp, justamente sob o argumento de que a empresa recusa fornecer conversas, que ela diz não possuir. Não apenas as próprias decisões judiciais, mas um movimento nacional de promotores e procuradores pede a quebra da criptografia.

Nesses diferentes países, porém, há um contramovimento em defesa do sigilo das comunicações. A própria França rejeitou, há poucos meses, uma emenda legislativa que propunha os backdoors. Nos EUA, o conflito está na Justiça, com decisões a favor e contra esse tipo de recurso para a quebra criptográfica, da mesma forma como acontece no Brasil, em que as decisões judiciais também foram revertidas. O ministro francês claramente trabalha em terreno fértil.

Fonte: Convergência Digital (Com informações da Vox du Nord e da Reuters)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s